27 de outubro de 2011

Rio Comicon 2011 – Como foi a bagaça (parte 01)

Na última semana, tivemos, no Rio de Janeiro, a segunda edição do principal evento internacional de Quadrinhos (pelo menos, é o que o título indica). O leitor já está acostumado com meus textos longos sobre tudo aquilo que me interesso por escrever, mas, dessa vez, vou tentar um texto mais sucinto. Podem reclamar, leitores... Isso é o tempo de que disponho me permite realizar.

O evento tomou de quinta a domingo com algumas exposições sobre artistas brasileiros e internacionais, tendo como grandes ban-ban-bans Will Eisner e Guido Crepax. No mais, o evento deu-se da mesma forma que 2010, com uma pequena diferença. Ou seja, não temos como escrever muito sobre esse evento, pois, estruturalmente, não há tanta diferença. A única coisa que chamou a atenção foi uma aproveitamento melhor do espaço para exposições – DC 75 anos e Universo Clamp e uma enorme falta de respeito com os artistas que não tinham capilé e ficaram entre dois trens enferrujados (pintados por fora, mas enferrujados) com mesinhas de papelão para vender material e autografar – falta de respeito, porque a Travessa continuava com seu mega-estande...


Quinta-feira, às 15:10, fui assistir à primeira mesa de palestras do evento, chamada “Quadrinhos de cultura pop” e foi um interessante bate-papo sobre as intermitências entre quadrinhos e graffiti nos quadrinhos de S. Paulo. Destaque apenas ao pensamento que de começa a emergir um mercado brasileiro para além da Turma da Mônica e seus derivados. Às 17 horas, tivemos “Novos rumos da HQ brasileira” que contou com um quarteto afiadíssimo em comentários mais adequados à situação comercial no Brasil, em que uma editora não se arrisca mais em colocar no mercado uma novidade. A área de testes da HQ nacional agora se chama internet. Se o povo da internet gosta, a editora gosta, o que revela também que, excetuando-se MSP, não há ainda a profissionalização do editor de quadrinhos em nosso país. Ou seja, não há uma pessoa responsável pela captação, seleção e disposição crítica em cima daquilo que é levado para a editora (se quiserem me contratar para fazer isso, o meu e-mail está disponível 24h/dia #prontofalei).


Na sexta-feira (21 de outubro), iniciou-se o segundo dia de atividades. No dia anterior, comprei material independente. Na sexta, contive meu ímpeto e não comprei nada. Mesmo assim, às 14:00, lá estava meu corpo confortavelmente instalado na cadeira para ouvir a antiga geração dos quadrinhos nacionais. “Meu brasil brasileiro” marcou-se como um paradoxo, a palestra de mais um trio, mediada pelo pesquisador Carlos Patati, foi uma das mais enriquecedoras para o público, pois, além de contar as peripécias iniciais dos quadrinistas no Brasil e a completa ignorância com relação às editorações, tivemos a oportunidade de ouvir uma imensa palestra técnica com relação às formas de utilização de desenho.

Logo após, às 16:00, tivemos “A conquista das Américas”, com somente uma dupla a falar das intempéries do mercado americano, das fórmulas rígidas de desenhos de super-heróis e de como um desenhista pode utilizar seu próprio estilo nos EUA. Além disso, vale lembrar que, por esse motivo estou com uma edição autografada de Tune 8.


Às 18 horas, a palestra em que eu mais saí do auditório. “Criatividade narrativa” foi uma palestra em que um e somente um dos autores cismava em se considerar um artista romântico, que deveria trazer a luz de sua sabedoria para todos aqueles que vieram ouvi-lo. Nauseabundo, tive de sair da sala inúmeras vezes para tomar o Santo Graal da ironia e calar-me. Entretanto, no meio do espetáculo de esnobismo, tive um acesso de risos e algumas pessoas estavam me perguntando: “Tá rindo do quê?” ; “Se ele fosse isso tudo o que ele está dizendo, ele teria a mesma euforia que o Manara teve ano passado, não?”. Risos baixos generalizados e ninguém mais prestou atenção. Quando Coutinho iniciou sua palestra a qualidade da exposição melhorou muito.

No sábado, sentei somente para ver a palestra das 14 horas. “Caminhos digitas” foi uma palestra complementar a “A conquista das Américas”, que elucidou para o espectador que assistiu às duas, todo o árduo percurso que um artista hoje tem de passar para se tornar conhecido pelo público. Destaque para o lado americano da palestra e deméritos para o lado europeu, como sempre... Não assisti mais nada nesse dia, pois tratava-se das palestras pop stars. Preferi tecer alguns ardis com Sidney Gusman e comprar MSP 50, MSP +50, MSP novos 50. Ebony Spiderman esteve na palestra de gala e pode falar melhor sobre o velho Chris Claremont.

Domingo, o último dia, às 14 horas, tivemos a palestra mais deselegante de todas. Explico-me: as palestras estavam TODAS, TODAS, TODAS, organizadas num sistema de bate-papo. O mediador fazia algumas perguntas (em sua maioria, três) e, logo após, o público ficava livre para perguntar o que quiser, até o término do horário e início da próxima palestra. Esse esquema, obviamente, expõe muito o palestrante, mas torna interessante o diálogo, pois pode-se ver como o público se comporta com relação a determinadas perguntas oriundas da plateia – obviamente, fiz perguntas em todas as palestras que estive, todas traçaram um determinado panorama do pensamento artístico com relação aos quadrinhos, mas isso falarei num outro post. No caso de “Mangaká”, eles anunciaram (com toda a cerimônia de que a mediação seria dupla porque estavam presentes à mesa o presidente de sei-lá-o-quê de mangá e o diretor presidente do sei-lá-o-quê de cosplay) que fariam poucas perguntas e deixariam a galera livre. O que ocorreu, de fato, foi uma tomada de tempo absurda para a babação de ovo das duas e pouco tempo para perguntas, causando certa antipatia da plateia nesse momento.


Depois disso, não assisti mais nada porque não queria ouvir a filha de um artista falar e não queria ouvir mais europeus dizendo que são artistas e que as pessoas não os entendem porque são geniais.
O próximo post será sobre o evento de filosofia que ocorreu juntamente à Rio Comicon, até lá e bons Vicodins para todos...

Inté.

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