Por que não falar de algo que não seja nerd, mas do ponto de vista de um nerd?
Eu tenho um primo que é repórter e me pediu para redigir algo sobre doenças autoimunes de um ponto de vista psicanalítico. Então, pensei: "Como posso falar algo que é, por essência, uma questão biológica?" A resposta que veio foi, um paralelo, praticamente uma metáfora. Dr. House vai gostar dessa, ele vê isso todos os dias!
A partir da ideia de que uma doença autoimune é uma patologia que leva o corpo a se defender dele mesmo, chegando ao ponto de destruir células sadias, podemos vê-la como uma forma metafórica de algo que chamamos na Psicanálise de mecanismo de defesa do ego. Uma habilidade psíquica que possuímos na qual nos defendemos de forma inconsciente contra elementos de nossa conduta que não suportamos, como egoísmo, hipocrisia, ansiedade(s), etc.
Assim como a doença autoimune realiza um ataque às nossas defesas, um mecanismo de defesa rígido faz movimentos de conduta que, de certa forma, nos prejudica. Negação, por exemplo, fenômeno pelo qual o ser humano nega algo que legitimamente é seu, mas não suporta o fato de sê-lo e, portanto, nega de forma veemente, ameaçando sua saúde mental e gerando ansiedade e angústia.
Um exemplo mamilo polêmico: uma pessoa homofóbica apresenta um comportamento extremamente agressivo com relação a homossexuais, pois, inconscientemente, possui dúvidas com relação a sua própria homessexualidade, negando essa mesma dúvida dentro de si com tamanha violência que esta (a violência ) transborda para ações conscientes de flagelação do outro.
Um outro exemplo seria aquele das pessoas que tem uma espécie de ganho secundário com seu problema psicológico: ganham atenção, conseguem carinho ou mesmo são reconhecidas por outras pessoas quando estão em um comportamento problemático para os outros a sua volta.
Dessa forma, um paciente com uma doença autoimune de nível psicológico, somando o problema do "ganho secundário", torna-se ainda mais doente, pois pode ser um típico caso de maníaco depressivo, hipocondríaco, repleto de neuroses, etc, etc, etc...
Quanto ao tratamento de uma doença autoimune que pode acarretar a complicações de nível psicológico, poderíamos chamar de esforço multidisciplinar, pois, dependendo da doença teremos diversos profissionais envolvidos - médicos, psicólogo, psiquiatra, terapeuta ocupacional, fisioterapeutas, fonoaudiólogos. Enfim, vários profissionais podem ter um papel importante nas diferentes doenças autoimunes que existem.
Um acompanhamento psicanalítico se faz presente e importante quando o diagnóstico apresentado tem fundo psicológico, como por exemplo o lúpus eritematoso sistêmico (erupções cutâneas em forma de borboleta na região abaixo dos olhos e nariz, preenchendo também as bochechas, tipicamente em pessoas com lúpus). Este é um tipo de doença autoimune na qual a presença de uma análise ou psicoterapia seria importante, pois, com isso, poderia-se trabalhar as causas de ansiedade e angústia geradas pelo nervosismo. Esse nervosismo é o que acaba agravando as erupções. Além disso a ajuda psicoterápica frente ao problema estético, pode ajudar o paciente em seu processo de aceitação da dificuldade que se apresenta.
Apesar da doença autoimune ser tipicamente um tratamento medicamentoso, portanto, é possível um acompanhamento psicológico com o intuito de fortalecer as bases psicológicas do paciente para que sua recuperação seja menos estressante, angustiante, mais agradável e com o mínimo de traumas psicológicos possíveis.
E que a Força esteja com os anticorpos, porque eles vão precisar!

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