Olá, Nerds e Nerdas tudo bom? Como foram de fim de semana? Espero que tudo tenha dado certo, o meu não foi muito agradável, mas teve os seus momentos de alegria.
Estava eu navegando pela internet quando encontrei uma reportagem deveras interessante no site do MSN (AQUI).
Como todos nós sabemos, a indústria dos jogos e, principalmente, a fonográfica, sempre colocam a culpa dos altos preços de seus produtos, na pirataria. Entretanto, porém, todavia, o resultado de uma pesquisa (Media Piracy), com mais de três anos de estudo, elaborada pela Social Science Research Council, mostra que não é bem assim que a banda toca.
Segundo supervisor do projeto, Joe Karaganis, diretor do Social Science Research Council, a pesquisa é “o primeiro estudo em larga escala sobre pirataria de música, filme e software em mercados emergentes, realizado de maneira independente, com foco no Brasil, Índia, Rússia, África do Sul, México e Bolívia". Embora não citado, os videogames também fazem parte do estudo.
A principal conclusão desse estudo é de que as pessoas compram produtos piratas porque não têm recursos para comprar produtos originais. Mas, até aí, não é novidade, o legal mesmo é que isso só acontece porque as empresas são gananciosas. O motivo seria porque são os estúdios de Hollywood, as gravadoras e as produtoras de videogames que decidem cobrar o mesmo preço pelo seu produto em todos os cantos do mundo. Ou seja, se uma empresa baixasse seu preço ao distribuidor brasileiro, o consumidor compraria muito mais jogos. E muita gente que hoje compra pouco, ou nada, passaria a comprar games oficiais e, consequentemente, a empresa teria uma margem de vendas e lucros maiores.
Agora, o grande motivo para que isso não ocorra nos países emergentes (Brasil, México ou Rússia) é que esses produtos podem ser vendido como luxo. Logo, Segue um entrevista feita com Joe Karaganis:
Em sua opinião, o que é pior: a pirataria, os impostos altos ou a ganância de alguns setores da indústria?
Joe Karaganis: É difícil apontar o que é pior. Nós temos percebido pouquíssima boa vontade para acabar de vez com essa prática de preços abusivos nos mercados de DVD e de videogame. No Brasil, na África do Sul e na Rússia o cenário é pior ainda, pois não existe iniciativa nenhuma nesse sentido.
Então de certo modo podemos dizer que a ganância supera os outros dois fatores?Eu não chamaria isso de ganância. É mais complicado do que isso. A maioria das companhias globais mantém preços altos para maximizar seus lucros. Isso é fato, mas também é política de negócios. O problema é que esse tipo de política global afeta diretamente países como o Brasil, especialmente quando vemos crescer o mercado de programas independentes mais baratos, além da proliferação do software livre.
Como a indústria recebeu o lançamento do MPEE?
As reações foram variadas. A indústria de filmes e de games reagiu de forma muito positiva ao estudo, pois eles já experimentam a realidade mostrada no MPEE. Mas o pessoal da indústria fonográfica e de softwares não gostou muito dos resultados.
Com um estudo sério como esse, será que finalmente alguns executivos vão colocar os pés no chão?
Acredito que as mudanças mais profundas mesmo precisam acontecer no modelo de negócios, não na política desses negócios em si. Concorrentes com preços mais baixos vão sempre surgir para conquistar mercados mais amplos.
E isso acaba gerando mais capital em economias emergentes, como a do Brasil. Empresas que hoje lucram com os preços altos vão decair aos poucos e isso certamente vai trazer alguns conflitos de mercado. A indústria ainda tem um controle forte sobre o processo político, como podemos ver na administração da [presidente] Dilma.
As conclusões do MPEE podem ser aplicadas diretamente ao mercado brasileiro?
Sim. O que concluímos sobre o Brasil nesse estudo também se aplica a diversos países do mundo. Preços muito altos, mercado legalizado pequeno e tecnologia digital barata são realidades universais das economias emergentes.
Isso também se aplica aos gigantes da Ásia?
Não. Os países em que o controle da indústria é severo, como Índia e China, têm realidades diferentes em relação aos preços.O músico e ex-ministro brasileiro Gilberto Gil rasgou elogios ao MPEE. Algum outro político se manifestou?
Gilberto Gil é nosso maior fã [risos]. Tivemos também apoio de políticos do Parlamento Europeu, da USTR (United States Trade Representative) dos EUA, da WIPO (World Intellectual Property Organization) de Geneva e de Moscou. E também de políticos de São Paulo e de Brasília, é claro.
Apesar da pirataria e dos impostos abusivos, o Brasil ainda tem um mercado forte de games. A que você acha que se deve essa dicotomia?
O mercado global de games está estimado em US$ 50 bilhões. Não tenho os números exatos, mas acho que a fatia do mercado legal brasileiro é mínima. Isso contribui para um círculo vicioso em que produtos legais - consoles e jogos - não recebem grande investimento porque a percepção geral que se tem é de que o mercado legal é muito pequeno.
Agora que computadores e banda larga estão ficando cada vez mais baratos, creio que o mercado de games vai ser um dos maiores beneficiados. Até o jornal Miami Herald fez um artigo sobre isso, em maio último.
Bom, pessoal, o legal mesmo deste estudo é que ele é independente, não foi a mando de nenhuma empresa. Agora só aguardar a resposta das empresas. Honestamente, creio que isso não vai mudar muita coisa aqui no Brasil, o que lamento. Agora, as empresas de jogos não podem mais ficar passando a imagem de santas.
Espero sinceramente que no final, crie-se um mercado auto-suficiente de jogos, música, entretenimento em geral aqui no Brasil. Dessa maneira, as chances de recorrermos ao mercado paralelo será bem pequeno.Abraços


É o que eu falo sobre a meia entrada..... Mesmo que o governo acabasse com a lei da meia entrada, os preços não abaixariam, porque os produtores já perceberam que existem muitas pessoas dispostas a pagar caro, principalmente em shows internacionais. Talvez no cinema e no teatro os preços diminuiriam, porque é um programa mais comum, rotineiro. As pessoas pagam mais nos shows internacionais pra não perder a chance de ver o artista; por exemplo: a Tina Turner e o Michael Jackson só fizeram show no Brasil uma vez.
ResponderExcluirConcordo com você, mas como a própria pesquisa aponta, é mais lucrativo vender algo como único, como luxo e a adaptar esse produto para a realidade do país.
ResponderExcluirNo caso de shows é mais fácil trabalhar esse conceito, pois nomes de peso não precisam de muito esforço de divulgação por exemplo, as pessoas sempre irão pela questão de ser rara e/ou unica.